quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Compramos um Zoológico

“Tudo que precisa é de 20 segundos de uma coragem enlouquecida. E eu juro que alguma coisa fantástica vai acontecer.” (Benjamin Mee)


Este não é simplesmente um filme sobre animais, é mais que isso. Trata da tentativa de superação de uma perda, fortalecimento dos laços familiares, amizade, vencer desafios e, por fim, boa relação com os animais.

Benjamin Mee (Matt Damon) é um jornalista que acabara de perder a esposa e mãe de seus dois filhos: Rosie (Maggie Elizabeth Jones), a caçula de sete anos e sempre proativa, e Dylan (Colin Ford) um adolescente muito... adolescente, entende? Como jornalista Benjamin sempre foi adepto as aventuras e exposição ao perigo: entrevistar ditadores, sobrevoar vulcões, etc. porém, o maior desafio de sua vida estava posto: cuidar dos seus filhos após a morte da sua esposa.

Com objetivo de oferecer algo diferente aos filhos Benjamin faz uma jogada ousada: investiu todas as economias da família na compra de um grande zoológico desativado, mesmo sem conhecer nada a respeito de animais. Por sorte Kelly Foster (Scarlett Johansson) e sua equipe, todos funcionários do zoológico, não mediram esforços para ajudá-lo nesta empreitada, e principalmente para enfrentar o temido fiscal responsável por liberar as autorizações de funcionamento dos zoológicos da cidade, interpretado por John Michael Higgins.

Um filme família, sem muitas pretensões, a não ser promover no espectador aquela sensação de valorização da família e dos amigos, o que é muito comum neste tipo de trama. Para quem procura algo leve para relaxar esta é uma boa opção.

Título original: (We Bought a Zoo)
Lançamento: 2011 (EUA)
Direção: Cameron Crowe
Atores: Matt Damon, Scarlett Johansson, Elle Fanning, Patrick Fugit, Stephanie Szostak, Thomas Haden Church, Carla Gallo, Desi Lydic, John Michael Higgins
Duração: 124 min
Gênero: Comédia

Jogo de Poder


“Quando Benjamin Franklin deixou o Salão da Independência logo após destacar a 2° Tropa, uma mulher se aproximou dele e disse: ‘ Sr. Franklin, que tipo de governo o Senhor nos deixou? ’. Franklin respondeu: ‘uma República, senhora. ’ Se vocês puderem mantê-la. A responsabilidade de um país, não está nas mãos de uma minoria privilegiada. Somos fortes e estamos livres da tirania desde que cada um lembre-se do seu dever como cidadão. Seja fiscalizando buracos em suas ruas ou denunciando uma mentira do discurso do Estado maior. Falem!” (Joseph Wilson)


O super aparato estatal não pode e não deve ser tão facilmente operacionalizado por determinados grupos com o intuito de obter êxito em empreendimentos pessoais ou em sentimentos excessivamente nacionalistas. Para que um governo republicano e democrático evite levar seus cidadãos a cair nestas armadilhas é preciso uma monitoração constante de suas ações. Porém, já sabemos que o recurso ao discurso nacionalista, patriota e o "Perigo Externo" é uma boa estratégia para unir o povo em prol de um objetivo, e a Casa Branca  também sempre soube disso, como veremos neste longa. 

A Guerra do Iraque ainda continua sendo terreno fértil para a construção de filmes. Desta vez, baseado em fatos reais, Hollywood retrata a trajetória da Agente Secreta da CIA, Valerie Plame, que teve sua identidade revelada a imprensa por funcionários do alto escalão da Casa Branca. Uma estratégia política em meio a tentativa de fundamentar o ataque das forças americanas ao Iraque, mais uma do inesquecível governo Bush.

Valerie Plame (Naomi Watts) era uma agente da CIA, atuava em operações secretas em diversas partes do mundo, além de trabalhar nas pesquisas que deveriam apontar ou não a existência de armas de destruição em massa no Iraque. Uma das estratégias deste último trabalho é recrutar a opinião de vários especialistas a respeito de um determinado tema que envolva as supostas armas, por isso, Joseph Wilson (Sean Penn), ex-embaixador do governo de Bill Clinton e esposo de Valerie, foi convidado a investigar se o Níger teria vendido material prima para fabricação de tais armas a Saddam Hussein.  Após a viagem e conversas com ex-membros do governo daquele país, Joseph Wilson concluiu que a suposta venda nunca poderia ter acontecido. Enfim, as investigações da CIA não encontravam elementos que justificassem acusar o Iraque de fabricar estas armas.

Porém, como sabemos, o presidente norte americano autorizou o ataque fundamentado na existência de provas que apontavam a fabricação de armas de destruição em massa no Iraque. È aqui que começa a aventura da Valerie. Sabendo que o governo estava mentindo, Joseph Wilson publicou um artigo no The New York Times com sua versão dos fatos, em contrapartida, altos funcionários da Casa Branca soltaram à imprensa a identidade secreta de Valerie Plame, ou seja, sua carreira, vida familiar e pessoal estariam praticamente acabadas.

Daí em diante se desenvolve uma batalha na mídia e depois nos tribunais: um homem (Joseph Wilson) versus a Casa Branca, quem vence esta guerra? 

Imperdível.

Título original: (Fair Game)
Lançamento: 2011 (EUA)
Direção: Doug Liman
Atores: Naomi Watts, Sonya Davison, Sean Penn, Michael Kelly, Stephanie Chai, Anand Tiwari, Vanessa Chong
Duração: 108 min.
Gênero: Drama

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Santos Justiceiros II – O Retorno


“Você é um assassino. A morte está em seu sangue” (Louis)


O primeiro filme trouxe um mix de ação e comédia, apresentando ainda boas montagens de cena e trillha sonora, além do show de Willem Dafoe, interpretando um esperto policial do FBI. E, geralmente quando um filme emplaca um sucesso de público, mesmo que não necessariamente de crítica, pode apostar que sua seqüência virá. Assim, os irmãos MacManus (Sean Patrick e Norman Reedus) retornam as telonas para tentar repetir o sucesso do primeiro filme.

Recolhidos no interior da Irlanda em companhia do pai, Il Duce (Billy Connolly), os irmãos MacManus são provocados a retornar a Boston, isto porque um padre foi assassinado com o claro intuito de trazê-los de volta. Porém, quem teria desejo de vê-los novamente? Pois os oito anos que eles permaneceram longe representaram um alívio para os mafiosos da cidade, e como não, também para a sua atrapalhada polícia.

Mesmo sabendo que algo estava errado no assassinato do padre, os irmãos MacManus deliberadamente morderam a isca, desta vez sem o apoio de David – o gozador ( Della Rocco) de épocas passadas, logo aceitam um substituto: um mexicano orgulhoso, interpretado por Clifton Collins Jr, sensível, inseguro e colorido, mas disposto a fazer parte e se portar a altura dos famosos justiceiros. Do outro lado, os policiais locais, mais atrapalhados do que antes, sucumbem à beleza e esperteza da Agente Especial do FBI interpretada por Julie Benz, a versão feminina do personagem de Willem Dafoe no primeiro filme. Enquanto isso, a máfia se borrava (literalmente) de medo da possibilidade da chegada dos justiceiros.

Mesmo não sido tão bom quanto o primeiro Santos Justiceiros, esta seqüência garante quase duas horas de boas cenas de ação e atrapalhadas, e ainda abriram espaço para um terceiro filme.

 
Título original: (The Boondock Saints 2 - All Saints Day.)
Lançamento: 2009 (EUA)
Direção: Troy Duffy 
Atores: Sean Patrick Flanery, Norman Reedus, Billy Connolly, Clifton Collins Jr., Julie Benz, Peter Fonda
Duração: 117 min.
Gênero: Policial

O Exterminador do Futuro 4 – A Salvação


"Estamos lutando há muito tempo. O número de máquinas é maior. Trabalhando incansavelmente, sem desistir. Você não está sozinho, existem resistências em vários lugares do planeta. Aqui é John Connor. Se você estiver ouvindo, você é da resistência”  (John Connor)



A trama central desta franquia é muito interessante, ás vezes confusa e sem sentido, porém, ainda assim consegue capturar o espectador, ás vezes transformando-o em fã. Nenhuma novidade, aliás, é quase simples: humanos lutando contra máquinas inteligentes. Até aí tudo bem, adicionamos então um homem que lidera a Resistência dos humanos, passando então a ser o alvo principal das máquinas. Estas máquinas - como afirmei, inteligentes – percebendo que não conseguem derrotar este líder - John Connor – envia um robô exterminador para o passado com a finalidade de matar a mãe de Connor. Isto tudo é contado no primeiro filme, um dos clássicos de Arnold Schwarzenegger nos anos oitenta: O Exterminador do Futuro.

A medida que a história é exposta torna se mais interessante, pois outros personagens passam a fazer parte dela. O que possibilita, se for bem feito, explorá-la e produzir uma boa leva de filmes, e até agora a franquia não tem decepcionado.

Neste quarto filme é mostrado o que Sarah Connor – a mãe de John Connor – não cansava de contar lá no primeiro filme: a luta entre máquinas e humanos que estaria ocorrendo no futuro. Christian Bale interpreta John Connor e lidera um grupo de soldados na implacável luta contra a Skynet. Em uma determinada missão Connor e seus companheiros invadem um laboratório abandonado, lá havia prisioneiros humanos e uma singular experiência da Skynet: Marcus Wright (Sam Worthington), um ex-prisioneiro que, no corredor da morte, doou seu corpo para a Skynet. 

Entre tantas decisões difíceis, Connor terá que avaliar se Marcus é humano ou máquina, salvar o civil Kyle Reese e ainda testar a nova arma da Resistência: um aparelho que emite um som em determinada freqüência e desliga as máquinas. São decisões importantes e o futuro da humanidade depende delas, mas não esqueçamos: as máquinas são inteligentes!

Acredito que poucas pessoas, daquelas que apreciam cinema, deixaram de assistir algum filme desta franquia, pois afinal, quem não conhece o bordão: “hasta la vista baby” ? Mas se você cometeu o sacrilégio de não assistir nenhum deles, então está ai uma boa dica.


Título original: (Terminator Salvation)
Lançamento: 2009 (Alemanha, EUA, Inglaterra)
Direção: McG
Atores: Christian Bale, Sam Worthington, Moon Bloodgood, Helena Bonham Carter.
Duração: 115 min
Gênero: Ficção Científica

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Batman Begins

- O que o espera? (Bruce Wayne)
- Justiça. Os criminosos se beneficiam da tolerância da sociedade compreensiva. (Ducard)


O último filme da trilogia de Christopher Nolan (Batman – The Dark Knight Rises) será lançado em breve aqui no Brasil, e os fãs deste super-herói estão ansiosos para revê-lo, principalmente após o bem sucedido trabalho do referido diretor nos filmes anteriores: Batman Begins e Batman – O Cavaleiro das Trevas. Os trailers que povoam a net e as salas de cinema já dão uma amostra do que vem por aí, e pelo visto promete muito.

Nolan acertou em cheio nos primeiros minutos de Batman Begins, pois estes são fundamentais para entendermos a história deste personagem, principalmente para quem não o acompanha nas Histórias em Quadrinhos. Nesta parte do filme percebemos a origem dos medos e sentimentos de raiva, e posteriormente, justiça que guiam a trajetória do senhor Bruce Wayne até o nascimento do Batman.

Um poço escuro e repleto de morcegos, o assassinato dos pais quando ainda era criança e o severo treinamento com Ducard (Liam Neeson) em um país distante serviu para moldar o senhor Wayne (Christian Bale), mas aquilo que parecia ser apenas a busca por vingança logo abriria espaço para algo mais nobre: o estabelecimento da justiça. O retorno a Gotham City e o reencontro com pessoas consideradas importantes, como o mordomo Alfred (Michael Caine), a amiga de infância Rachel Dawes (Katie Holmes), e mais tarde, aliados como o Sargento James Gordon (Gary Oldman ), um dos poucos policiais que não foi seduzido pela corrupção que domina a cidade, além do fiel amigo de Thomas Wayne ( pai de Bruce),  Lucius Fox (Morgan Freeman), responsável pelos aparatos tecnológicos indispensáveis ao Homem Morcego. De uma forma ou de outra todas estas pessoas estarão do lado de Batman na luta contra a criminalidade em Ghotam, principalmente porque Falcone  (Tom Wilkinson ) chefe do submundo do crime têm grande parte das autoridades sob seu poder, além de uma instável aliança com um desequilibrado psicofarmacologista, o famoso Espantalho (Cillian Murphy).

Além de oferecer uma boa dose de diversão e agradar os fãs do super-herói, Batman Begins também consegue apontar alguns limites éticos que cercam a desenfreada busca por justiça, pois a linha que a diferencia da vingança pode ser muito tênue.


Título original: (Batman Begins)
Lançamento: 2005 (EUA)
Direção: Christopher Nolan
Atores: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman.
Duração: 134 min
Gênero: Aventura

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Contador de Histórias


- Têm meninos que saem do caminho, o Roberto é um desses. (Pérola)


Os jornais, e principalmente os governos, não cansam de alardear que a situação socioeconômica do Brasil avançou bastante nos últimos anos, o que não deixa de ser verdade. Ainda assim, observamos, principalmente nas ruas, o fruto do nosso atraso, não é muito difícil encontrarmos crianças nas sinaleiras, praças e avenidas, ás vezes pedindo esmolas, outras vezes, roubando.   Enfim, se nestes nossos dias de relativa bonança é este o cenário que encontramos, imagine na década de 70?

É diante deste contexto de dificuldades, há quase trinta anos que aquela mãe de dez meninos e meninas, moradora de um barraco da área pobre de Belo Horizonte, vê na FEBEM a grande oportunidade para educar e oferecer um futuro diferente ao seu filho, torná-lo um doutor, principalmente após as belas propagandas desta instituição veiculadas na TV da época. Este oi o primeiro trauma de Roberto Carlos, aquele menino que passava o dia todo na rua empinando pipas: ter sido separado de sua mãe aos seis anos, vindo a ser interno da FEBEM. Os anos se passaram e aquela instituição que já não se parecia em nada com aquela da propaganda ficou ainda pior, só restava a Roberto Carlos uma alternativa: fugir. Inúmeras vezes fugiu e também foi recapturado, um ciclo que só se rompeu no instante que foi abordado por Margherit Duvas (Maria de Medeiros), uma pedagoga francesa que fazia pesquisas no Brasil.

Aquele encontro mudaria a vida dos dois, não sem traumas, é claro. Roberto Carlos, agora com mais de treze anos, já era considerado irrecuperável para a sociedade, como muitos garotos que estão na mesma situação hoje em dia, só havia um caminho: a cadeia ou cemitério. Claro que Margherit não pensou assim, se encantou por aquele menino de rua, contra a vontade de muitos, se aproximava de Roberto e, em conseqüência, do perigo também.

Por mais que seja baseado em uma história real, e a grande maioria já saiba o seu final, afirmo que este é mais um belo filme nacional: ótimas atuações, roteiro cativante, trilha sonora... Descubra a história de Robertô (como era chamado pela francesa Margherit), pelo menos em parte, uma trajetória comum a muitos brasileiros, mas que não deixa de ser única e também muito emocionante.


Título original: (O Contador de Histórias)
Lançamento: 2009 (Brasil)
Direção: Luiz Villaça
Atores: Maria de Medeiros, Jú Colombo, Marco Ribeiro, Paulinho Mendes.
Duração: 110 min
Gênero: Drama

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

11.11.11


- Eu acredito em Deus e preciso crer também no Diabo. (Samuel)


Passeando pelos blogs de cinema descobri que havia assistido a um filme em 2011 e nem lembrava mais. Geralmente os bons filmes ficam martelando por dias ou semanas em sua cabeça, e você nunca esquece.  Seguindo esta regra está explicado porque esqueci rapidamente de 11.11.11. Definitivamente não esta entre os melhores filmes de terror que vi em 2011, mesmo tendo assistido poucos deste gênero neste ano. 

O filme não é intragável, pelo contrário, até que serve como um passatempo razoável, o problema foi o excesso de expectativa criada em torno do longa: a data e a questão numerológica, o diretor reconhecido, a produção, etc. O que acabou nos fazendo imaginar que assistiríamos a um grande filme, porém, não deixou de ser mais um que vai dividir a prateleira da estante com filmes do tipo Arraste-me Para o Inferno.

A trama gira em torno do pouco religioso Joseph Crone (Timothy Gibbs), um famoso escritor que perde filho e esposa em um acidente. Muda-se para Barcelona, aonde pretende acompanhar o pai Richard (Denis Rafter) que está muito doente, e visitar o bastante religioso Samuel (Michael Landes), seu irmão. A relação de Joseph com a família, principalmente o pai, não é boa, resquícios de um passado mal resolvido. Em uma cidade que sempre considerou não amigável, as memórias deste passado crítico voltam a assustar Joseph, além disso, acontecimentos estranhos passam acontecer em sua vida, e aos poucos ele os relaciona com o mítico número 11.  

Pairando entre a loucura e a realidade, Joseph percebe que a relação destes acontecimentos com o número 11 não é simplesmente obra da sua imaginação. Algo naquilo tudo vai ganhando sentido, e talvez, o único recurso daquele homem sem fé seja recorrer à religiosidade de Samuel, seu irmão.

Vamos lá, descubra o que esconde o 11.11.11!

Título original: (11-11-11)
Lançamento: 2011 (Espanha, EUA)
Direção: Darren Lynn Bousman
Atores: Timothy Gibbs, Michael Landes, Denis Rafter, Wendy Glenn.
Duração: 100 min
Gênero: Terror