sábado, 14 de abril de 2012

Seção Curtas

No Caminho, com Maiakóvski

Através do irrequieto Helivan Oliveira trago ao blog um ótimo curta.

Resultado dos esforços do artista gráfico Rodrigo Jolee e dos versos do poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa. Música: Western Eyes, por Portishead.

O título não poderia ser outro:  No Caminho, com Maiakóvski

Apreciem!

 


Fúria de Titãs 2

"Você aprenderá um dia que ser metade humano o torna mais forte que um deus" (Zeus)


Ainda bem que nós, apreciadores de filmes, podemos ter o recurso da locadora, da internet, apesar da tudo, e também da TV a cabo, principalmente de canais como o MAX, que sempre exibe aqueles filmes excluídos do roteiro comercial. Isto porque se dependêssemos apenas do que nos é oferecido pelas salas de cinema, estaríamos decepcionados. O que tem de filme de qualidade mediana sendo exibido por aí, e pasmem, liderando bilheteria.

No feriado da Páscoa foi a sequência de Fúria de Titãs que fez o sucesso das bilheterias, atraindo milhares de espectadores e seguido de perto pelo insosso Espelho Espelho Meu.  O pano de fundo é interessante, pois a Mitologia Grega é um cenário fértil, e se bem aproveitado pode oferecer um bom filme de aventura, senão pode se transformar em caricatura, ou uma coisa qualquer que não lembre em nada os deuses e semideuses gregos , como é caso de Fúria de Titãs 2. Pelo menos o trailer é muito bom, consegue enganar qualquer um. 

O pretexto para a aventura é audacioso, mas seu desfecho é humilhante. Imagine o que seria para o Olimpo a tentativa de libertar Cronos do Tártaro? Uma vingança de Hades contra Zeus? Isto não é um acontecimento qualquer, mas no filme parecia uma mera briga de vizinhos.  

Liam Neeson interpreta um Zeus que nos faz sentir compaixão de sua mediocridade. Este deus seria derrotado até por um simples mortal. Enfraquecido, por não ser mais adorado pelos humanos, Zeus vai buscar a ajuda do seu filho, o semideus Perseu (Sam Worthington), o mesmo que havia derrotado o Kraken no filme original. Recluso, dedicando se apenas a cuidar do seu filho Helius, Perseu ignora o chamado do pai para tentar evitar uma catastrófica briga de família. Pois Hades (Ralph Fiennes) irmão de Zeus, com ajuda de seu sobrinho Ares (Edgar Ramírez) traçara um plano para libertar o poderoso Cronos, pai de Zeus, Hades e Posseidon (Danny Huston) do Tártaro.

Outros deuses e semideuses entraram nesta que era pra ser a Grande Batalha do Universo, inclusive o mitológico cavalo Pegasus. A figura feminina fica por conta de Rosamund Pike, interpretando a rainha Andrômeda. 

Tão fraco quanto o filme original, seja quanto ao roteiro, interpretação, efeitos especiais ou desfecho final, Fúria de titãs 2 não possui nenhum aspecto elogiável. Apenas esperamos que não voltem a gastar milhões para fazer mais uma sequência, senão corremos o risco do próprio Zeus descer do Olimpo e eliminar a todos nós.

Título original: (Clash of the Titans 2)
Lançamento: 2012 (EUA)
Direção: Jonathan Liebesman
Atores: Sam Worthington, Bill Nighy, Ralph Fiennes, Liam Neeson, Rosamund Pike, Toby Kebbell, Danny Huston, Édgar Ramírez, Matt Milne, George Blagden.
Duração: 99 min
Gênero: Aventura

Espelho Espelho Meu

“O príncipe é rico, vou casar com ele e meus problemas de dinheiro serão solucionados.” (Rainha Má)


Apresentar uma versão diferente dos clássicos contos infantis a muito tempo deixou de ser novidade em Hollywood. A maioria traz um lado comediante, outros arriscam até com uma versão erótica. Este tipo de trabalho possui uma exigência especial que não existe em outros filmes: pelo fato de já conhecermos o início meio e fim da história, consequentemente esperamos ser surpreendidos com algo inusitado, diferente, pode até ter o mesmo final, mas a forma de contar deve ser outra. É este, então, o motivo pelo qual somos atraídos por versões de consagrados contos infantis.

E qual a novidade em Espelho Espelho Meu? Claro que não vou contar, mas adianto que o estilo adotado é a comédia, com muitas cenas pouco engraçadas. Salvo pelos simpáticos anões e a atuação de Julia Roberts no papel da Rainha Má, nem perceberíamos que estávamos assistindo a uma comédia. 

A Rainha Má, sempre atenta a sua beleza, faz de tudo para tirar o brilho de sua enteada, a famosa Branca de Neve, na pele da simpática Lily Collins. Mas a Rainha não está preocupada apenas com sua beleza, pois como afirmou seu puxa-saco real, Brighton (Natan Lane): o reino está sem dinheiro. É aí que o rico príncipe Alcott (Armie Hammer), metido a aventureiro, desperta o interesse da Rainha, e porque não, também da sofrida princesa.

Se existe algo isento de críticas neste filme, este só pode ser o figurino.  As interpretações são fracas, culpa do roteiro. As piadas não nos tiram mais que um sorriso amarelo. Em alguns momentos rezamos para que os créditos apareçam e aquilo tenha fim. Porém, as roupas dos personagens são interessantes: coloridas, vivas, bonitas, ganham destaque nas cenas. Não é por acaso que este e alguns outros títulos, como Alice no País das Maravilhas, A Bela e a Fera, O Mágico de OZ e João e Maria ganharam um editorial especial na conhecida Vogue.  

Enfim, pelo menos existe algo interessante nessa aventura. E não saia correndo da sala de projeção, pois ainda tem um pequeno clipe junto com os créditos finais. Afinal, eles sabem que ficaram em débito então nos deram esta gorjeta.


Título original: (Mirror, Mirror)
Lançamento: 2012 (EUA)
Direção: Tarsem Singh
Atores: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Sean Bean, Nathan Lane, Mare Winningham, Michael Lerner, Robert Emms, Martin Klebba
Duração: 106 min
Gênero: Comédia

domingo, 8 de abril de 2012

Guerra é Guerra

-Ela decide. (FDR)
-Que vença o melhor. (Tuck)


Qual a importância do trailer para aquele indivíduo que está constantemente no cinema? Penso que este momento é bastante especial, pois é neste instante que não só tomamos conhecimento dos próximos filmes que veremos, mas também construímos expectativas positivas ou negativas sobre eles. Ultimamente os filmes nacionais têm feito bons trailers, um exemplo que nunca esquecerei é o do filme De Pernas Pro Ar: uma verdadeira propaganda enganosa. Já o trailer do filme 2 Coelhos foi bastante honesto.

Enfim, estas pequenas e maravilhosas propagandas tem uma função bastante interessante: além de divulgar, tenta também capturar o espectador, seduzi-lo. Porém, pode funcionar de modo inverso. Quem nunca disse um “este não vejo nem de graça” após assistir um trailer de um filme supostamente ruim? Pois é, foi o que pensei ao ver a propaganda do último filme do trio: Tom Hardy, Chris Pine e Reese Witherspoon. Mas, contrariando meus instintos e, principalmente, por falta de opção, resolvi arriscar e pagar pra ver.

Saiu caro, muito caro. Tanto é que faltou inspiração para escrever cinco simples parágrafos de um poste aqui no blog. Ainda bem que enrolei com esta conversa fiada sobre trailer, de outra forma não teria dispensado mais que quatro linhas para este filme insosso.

Dois grandes amigos e agentes da CIA: Tuck e FDR se apaixonam pela mesma garota, a Lauren. Ela, indecisa, resolve provar secretamente – pelo menos é o que ela pensa - as qualidades dos quase irmãos e, depois decidir com qual ficar. Eles, objetivando conquistar a donzela, usam todas as suas habilidades para alcançar tal propósito, inclusive os recursos tecnológicos do governo. Enquanto isso, ainda arranjam tempo para perseguir o bandido da trama, um tal de Heinrich (Til Schweiger ). Tão sem sal quanto os outros personagens.

O problema não está apenas na trama ou no roteiro, mas principalmente nos atores: nem um dos três   apresentou a necessária veia cômica para dar vida ao filme. Faltou exatamente aquela coisa, sem a qual não podemos dizer: isto é uma comédia! Nem mesmo as fugas, tiroteios, perseguições, ou piadas de Trish (Chelsea Handler), amiga conselheira de Lauren, foram suficientes para salvar o filme.

Da próxima vez confiarei mais nos meus instintos.


Título original: (This Means War)
Lançamento: 2012 (EUA)
Direção: Joseph McGinty Nichol (McG)
Atores: Reese Witherspoon, Chris Pine, Tom Hardy, Laura Vandervoort, Til Schweiger, Rebel Wilson, Angela Bassett, Abigail Spencer, Emilie Ullerup, Chelsea Handler
Duração: 97 min
Gênero: Comédia

Seção Curtas

A indicação de um breve e interessante curta de animação pelo também cinéfilo, e companheiro de longa data, o senhor Paulo Sávio Machado me fez despertar a ideia de abrir aqui uma seção para exibição de curtas. Sem periodicidade e, na maioria das vezes, também sem comentários. 

Aceitamos indicações de fontes de curtas, como também podemos divulgar seu filme. 

O primeiro filme é justamente aquele indicado por Sávio. Uma bela releitura do conhecido conto da "Chapeuzinho Vermelho". Postarei duas versões, que só se diferenciam pela trilha sonora e duração. 

O colorido e os traços do desenho chamam a atenção, assim como a trilha.

Parabéns a Jorge Jaramillo, Carlo Guillot e Manuel Borba autores do filme.

Fontes: 
vimeo.com
youtube.com/carloguillot 

Versão 1



Versão 2


Protegendo o Inimigo


“Regra número um: é responsável por sua visita.” (Tobin Frost)

 
Depois deste filme a palavra “zelador” terá outra conotação pra você.  Matt Weston (Ryan Reynolds) é oficial da CIA, jovem, inexperiente, até agora seu único trabalho foi ser o “zelador”, que é uma espécie de guarda dos esconderijos secretos da agência. Weston sempre desejou ir para o campo, trabalhar em uma operação de verdade, e seu desejo está prestes a ser realizado, porém, de uma forma inesperada. 

Tobin Frost (Denzel Washington), por sua vez, é aquele homem que sempre figura na lista dos mais procurados de todas as agências policiais; já esteve do lado dos mocinhos, agora age sozinho, comprando e vendendo informações secretas e comprometedoras, por isso, coleciona vários inimigos. E, é fugindo de um desses inimigos que Frost não vê outra saída senão entrar no consulado americano da Cidade do Cabo, África do Sul, ou seja, se entregar de bandeja para a CIA. É esta estranha ação que deixa a todos perplexos e, ao mesmo tempo, proporcionará o encontro de Frost com Weston.

Um início de filme alucinante: correria, informações, diálogos, não há tempo nem para se acomodar na cadeira sem correr o risco de perder um detalhe importante ou uma boa cena de ação. Se o espectador busca um verdadeiro thriller de ação então já encontrou.  Aliás, há um bom equilíbrio entre as duas metades do filme: na primeira há uma significativa dose de ação, mas, fracos diálogos, além de um par romântico forçado. Enquanto na segunda parte os diálogos melhoram, equilibrando com o ritmo frenético dos personagens.

Este filme nos faz pensar que não é difícil fazer um bom filme de ação, ou seja, não precisa muito: um roteiro razoável, pelo menos um ou dois atores reconhecidos por seu talento e não só por um rosto bonito, intrigas e segredos aqui e ali, uma boa trilha sonora para acompanhar a correria, personagens bem definidos, e o resto é detalhe.

Protegendo o Inimigo não traz novidades, não surpreenderá o contumaz apreciador de filmes policiais, mas também não decepcionará. É a velha receita do feijão com arroz que agrada a maioria.


Título original: (Safe House)
Lançamento: 2011 (EUA/ África do Sul)
Direção: Daniel Espinosa
Atores: Ryan Reynolds, Denzel Washington, Vera Farmiga, Brendan Gleeson, Robert Patrick, Sam Shepard, Liam Cunningham, Joel Kinnaman, Tanit Phoenix, Stephen Bishop.
Duração: 115 min
Gênero: ação

sábado, 7 de abril de 2012

Habemus Papam


- Em que o senhor trabalha? (psicanalista)
- Eu sou ator. (Melvile)


Um cinéfilo de verdade não escolhe momento para assistir um bom filme, em qualquer época ou lugar, se a película for boa, dá se um jeitinho. Em uma rápida fuga da correria do dia dia, em visita a Cidade Maravilhosa, eis que a bela Mary nota o mais novo trabalho do ator e diretor italiano Nanni Moretti, o mesmo que atuou e dirigiu o muito bom O Quarto do Filho. Não poderia ser outra a nossa reação senão reservar um tempinho entre o passeio na orla e o café, e assim apreciar este filme no confortável Kinoplex de Copacabana.

Habemus Papam traz uma perspectiva que, confesso, nunca havia pensado antes: o fardo que é ser o maior ícone da religião cristã no mundo, ou seja, como pode ser difícil e angustiante ser o Papa. Na maioria das eleições que conhecemos os candidatos estão lá por vontade própria, ou então se comprometem, nem que seja almejando algum tipo de retorno no futuro. E no Conclave? Vários cardeais presos em uma sala até que dali saia o novo Papa. O que realmente se passa lá dentro? Moreetti, com uma dose de humor, drama, e claro, fantasia, recria este ambiente e traz outra luz sobre o que é ser um Papa.

Após a morte do Papa e de um Conclave bastante especial, cai no colo do cardeal Melvile (Michel Piccoli) a maior de suas responsabilidades: ser o novo Papa! Sua reação, ao contrário do que imaginamos, não foi a de alguém que estava ansioso por este cargo. Desespero, depressão, angústia, infarto, medo. Enquanto a multidão de fiéis aguardava na praça o anúncio do novo líder da Igreja católica, lá dentro, na Capela Sistina, a incerteza pairava. Até um psicanalista (Nanni Moretti) foi chamado para tentar trazer Melvile a razão, neste caso, a fé.

Neste filme temos ainda a oportunidade de acompanhar uma história que poderia (e pode) ser baseada em fatos reais. Ou ainda, refletir a cerca do que representa um Papa, o que esperam seus seguidores, e principalmente, é possível ser Papa sem estar representando?


Título original: (Habemus Papam)
Lançamento: 2011 (Itália/França)
Direção: Nanni Moretti
Atores: Michel Piccoli, Nanni Moretti, Jerzy Stuhr, Franco Graziosi, Camillo Milli, Ulrich von Dobschütz, Margherita Buy, Riccardo Sinibaldi
Duração: 102 min
Gênero: Drama