terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Homens e Deuses


“ Somos como pássaros num galho de árvore, não sabemos se vamos partir” (Celestin)


Nós, ocidentais fundados em um modelo de democracia burguesa liberal, tendemos a criticar abertamente Estados Teocráticos. Argumentos e fatos não faltam para justificar a crítica a este modelo de Estado e Governo, vide a imagem que montamos de alguns países do Oriente Médio e do Afeganistão (o governado pelo Taliban).  A sensibilidade da questão está exatamente na necessária limitação de poderes do qual nenhum Estado pode ser dispensado, mesmo que o desejo dos seus dirigentes seja justamente o contrário. Ou seja, se quando um grupo detêm o maquinário estatal já é perigoso para o cidadão, no instante em que se ausentam os limites para este Estado, imagine então se este for fundado na religião? Pois, como já disse Blaise Pascal: “os homens jamais fazem o mal tão completamente e com tanta alegria como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa”.

O filme Homens e Deuses não trata de um Estado teocrático, mas de uma guerra civil e de diferentes interpretações que se formulam dos escritos religiosos. É inspirados em fatos reais ocorridos na Argélia em 1996, quando estourou uma brutal guerra civil. De um lado o governo,  do outro, rebeldes islâmicos, e entre eles, a população civil. 

Christian (Lambert Wilson) é o líder de um grupo de oito monges que atuavam junto a uma comunidade no interior da Argélia. Orações, estudo religioso, assistência médica a comunidade e uma convivência harmoniosa com religiosos muçulmanos, este era o cotidiano dos monges, pelo menos até o conflito armado. A partir deste momento, Christian e seus irmãos religiosos estavam em perigo, como todos os estrangeiros e civis daquele país. 

A angustia do grupo neste instante advêm da necessidade de ter que decidir entre abandonar a comunidade e voltar para França, salvando suas vidas, ou seguir a missão que abraçaram e permanecer ali, mesmo que esta opção custe suas vidas.  Acompanhamos, cena a cena, a aflição daqueles homens no caminhar em direção a difícil decisão. Ao mesmo tempo em que percebemos como cenários tão distintos podem ser construídos a partir da leitura e interpretação de mensagens, que a princípio, deveriam pregar apenas o amor, mas que a partir de alguns, servem como fundamentação para ações maléficas.

Vencedor do Grande prêmio de Cannes de 2010, este é um filme para ver e não esquecer jamais.


Título original: (Des Hommes et des Dieux)
Lançamento: 2010 (França)
Direção: Xavier Beauvois
Atores: Lambert Wilson, Michael Lonsdale, Olivier Rabourdin, Philippe Laudenbach.
Duração: 122 min
Gênero: Drama

Um comentário:

  1. Muito bom o texto. Não vi o filme, ainda. Vou buscá-lo. Um abraço...

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