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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Na Natureza Selvagem


"A felicidade só é verdadeira quando compartilhada." (Christopher McCandless)


Sean Pen dirige seu mais impressionante filme. O longa que conta a incrível trajetória de Christopher McCandless (Emile Hirsch). Um jovem que não se ajustava ao quadrado da vida normal que sua família, aos poucos, planejava. Recém formado, rapidamente seus pais tentaram lhe presentear um belo carro novo, afirmando que estava na hora de jogar o antigo, a lata velha, fora. Além de se mostrarem dispostos a fazer sacrifícios no intuito de levantar mais dinheiro para que prosseguisse seus estudos.

Mas Christopher logo mostraria que não havia nascido para estar preso a bens materiais, carreira ou família. Seu destino era correr o mundo, sentir-se vivo, ler seus autores favoritos, escrever, sentir a natureza, buscar o auto conhecimento. E assim, não poderia fazer diferente: sai em viagem pelo interior dos Estados Unidos com destino ao Alasca, praticando aquilo que acreditava e descobrindo novos sentidos para sua vida.

Um filme que vai encantar os jovens, alegrar os sonhadores, dar força aos humanistas e amolecer os carrancudos e conservadores. É triste, é alegre, lhe traz o riso, as lágrimas e o espanto. Baseado em uma história real, Na Natureza Selvagem, é um longa que provoca a inquietação, admiração e perplexidade durante todos os seus impecáveis cento e quarenta e oito minutos.

Emile Davenport Hirsch ( o mesmo de Alpha Dog e Show de Vizinha), na pele do jovem Christopher McCandless, faz seu melhor papel. Não há como sentir-se indiferente as suas angústias. Ao mesmo tempo é impossível não aprender com seus erros e seus acertos. Também são importantes os diversos personagens que cruzam seu caminho e ajudam a dar vida a trajetória deste rapaz.

“Amo não menos o homem, mas mais a natureza.” Lord Byron


Título original: (Into The Wild)
Lançamento: 2007 (EUA)
Direção: Sean Penn
Atores: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart, Hal Holbrook
Duração: 148 min
Gênero: Drama

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Jogo de Poder


“Quando Benjamin Franklin deixou o Salão da Independência logo após destacar a 2° Tropa, uma mulher se aproximou dele e disse: ‘ Sr. Franklin, que tipo de governo o Senhor nos deixou? ’. Franklin respondeu: ‘uma República, senhora. ’ Se vocês puderem mantê-la. A responsabilidade de um país, não está nas mãos de uma minoria privilegiada. Somos fortes e estamos livres da tirania desde que cada um lembre-se do seu dever como cidadão. Seja fiscalizando buracos em suas ruas ou denunciando uma mentira do discurso do Estado maior. Falem!” (Joseph Wilson)


O super aparato estatal não pode e não deve ser tão facilmente operacionalizado por determinados grupos com o intuito de obter êxito em empreendimentos pessoais ou em sentimentos excessivamente nacionalistas. Para que um governo republicano e democrático evite levar seus cidadãos a cair nestas armadilhas é preciso uma monitoração constante de suas ações. Porém, já sabemos que o recurso ao discurso nacionalista, patriota e o "Perigo Externo" é uma boa estratégia para unir o povo em prol de um objetivo, e a Casa Branca  também sempre soube disso, como veremos neste longa. 

A Guerra do Iraque ainda continua sendo terreno fértil para a construção de filmes. Desta vez, baseado em fatos reais, Hollywood retrata a trajetória da Agente Secreta da CIA, Valerie Plame, que teve sua identidade revelada a imprensa por funcionários do alto escalão da Casa Branca. Uma estratégia política em meio a tentativa de fundamentar o ataque das forças americanas ao Iraque, mais uma do inesquecível governo Bush.

Valerie Plame (Naomi Watts) era uma agente da CIA, atuava em operações secretas em diversas partes do mundo, além de trabalhar nas pesquisas que deveriam apontar ou não a existência de armas de destruição em massa no Iraque. Uma das estratégias deste último trabalho é recrutar a opinião de vários especialistas a respeito de um determinado tema que envolva as supostas armas, por isso, Joseph Wilson (Sean Penn), ex-embaixador do governo de Bill Clinton e esposo de Valerie, foi convidado a investigar se o Níger teria vendido material prima para fabricação de tais armas a Saddam Hussein.  Após a viagem e conversas com ex-membros do governo daquele país, Joseph Wilson concluiu que a suposta venda nunca poderia ter acontecido. Enfim, as investigações da CIA não encontravam elementos que justificassem acusar o Iraque de fabricar estas armas.

Porém, como sabemos, o presidente norte americano autorizou o ataque fundamentado na existência de provas que apontavam a fabricação de armas de destruição em massa no Iraque. È aqui que começa a aventura da Valerie. Sabendo que o governo estava mentindo, Joseph Wilson publicou um artigo no The New York Times com sua versão dos fatos, em contrapartida, altos funcionários da Casa Branca soltaram à imprensa a identidade secreta de Valerie Plame, ou seja, sua carreira, vida familiar e pessoal estariam praticamente acabadas.

Daí em diante se desenvolve uma batalha na mídia e depois nos tribunais: um homem (Joseph Wilson) versus a Casa Branca, quem vence esta guerra? 

Imperdível.

Título original: (Fair Game)
Lançamento: 2011 (EUA)
Direção: Doug Liman
Atores: Naomi Watts, Sonya Davison, Sean Penn, Michael Kelly, Stephanie Chai, Anand Tiwari, Vanessa Chong
Duração: 108 min.
Gênero: Drama

sábado, 24 de dezembro de 2011

A Árvore da Vida


- A única maneira de ser feliz é amar. A menos que você ame sua vida passará rapidamente. Faça o bem ao próximo. Tenha curiosidade, tenha esperança. (Sra Obrien)


Um filme que trata da religião, do sofrimento causado pela perda de uma pessoa querida, mas acima de tudo é um filme sobre a relação familiar. Exatamente uma família tradicional texana de meados do século passado, enfim, de famílias que prezam por uma educação conservadora, religiosa e patriarcal. Muitos perceberão que apesar de retratar uma família norte americana certamente identificaremos semelhanças com famílias brasileiras, pois por muito tempo, e ainda hoje é bastante comum existir famílias que guiam a educação dos filhos conforme a retratada no filme.

Brad Pitt é o chefe da família O'Brien, junto com sua esposa, interpretada por Jessica Chastain, e seus três filhos. Sempre cuidadoso e meticuloso em relação a educação e o respeito as tradições, o senhor Obrien não media esforços para mostrar a sua cria o que era certo e o que era errado, o que se deve e não se deve fazer, mesmo que fosse necessário repetir cinquenta vezes: “você vai ficar aqui e vai fechar esta porta sem fazer barulho cinquenta vezes, e conte em voz alta” . O senhor Obrien não educava seus filhos daquela forma rígida simplesmente porque gostava de vê-los oprimidos e sofrendo, pelo contrário, ele os amava e acreditava fielmente que estava construindo homens fortes, que jamais diriam: “eu não consigo”. E é esta inflexível educação que põe o seu primogênito em crise: obrigações, limites, ausência de liberdade, necessidade de transgredir, livrar-se do pai, etc.

Anos depois é Sean Penn que dá voz a um dos filhos do Sr. Obrien. Neste instante a dor causada pela morte do irmão, o sentimento de culpa e as lembranças dos difíceis  (e por que não, também felizes) anos de convivência naquela família vem a tona. O expectador é levado em uma viagem simbólica, onírica, conhecendo - e às vezes se reconhecendo - nos dramas da família Obrien. 

Um filme criticado pelos impacientes acostumados com a correria dos trailers de ação e suspense, aqui caminhamos a passos lentos, condensando cada frase e cada cena, apreciando a bela fotografia e densidade dos personagens.  Vá com a mente aberta.


Título original: (The Tree of Life)
Lançamento: 2011 (EUA)
Direção: Terrence Malick
Atores: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Fiona Shaw.
Duração: 138 min
Gênero: Drama