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domingo, 6 de março de 2011

O Último Samurai

"Me responda: por que vocês americanos matam o seu próprio povo?"  (General Japonês)


Infelizmente este é um movimento natural, isto porque o ser humano em suas relações sócias vem agindo assim há milênios. A saber: a suplantação de uma cultura por outra. Invariavelmente os povos de maior superioridade tecnológica findam eliminando seus adversários e vagarosamente imbricando as duas culturas com a maior manutenção dos aspectos culturais do vencedor. Foi assim com os nativos do Brasil, dos Estados Unidos, da Austrália, da Ásia, da África.   
Este filme, de forma romântica, vem mostrar justamente o movimento de ocidentalização do Japão do final do século XIX. Era preciso se modernizar, acompanhar as outras potências, ser tão forte quanto, e os Samurais não representavam o novo, pelo contrário, representavam a tradição. O norte americano Nathan Algren (Tom Cruise), que havia feito trabalho semelhante com os “Peles Vermelhas” no Oeste americano, agora havia sido convidado para mostrar seus serviços do outro lado do planeta: treinar os soldados japoneses para lutar contra os Samurais que teimavam em resistir a modernidade. Porém, Algren, por incrível que pareça, é o responsável por trazer humanidade aquelas ações. Ainda traumatizado pelos inúmeros índios que ajudara a matar, este militar irá reconhecer nos soldados imperiais o que já tinha visto antes, mas ao ter contato com a cultura Samurai, a ética do Bushido, o norte americano acaba se reconhecendo e finalmente descobrindo qual seu papel naquela guerra.
Se você ainda não assistiu a este bem produzido filme, não perca a oportunidade neste carnaval. Figurino, enredo, ambientação e fotografia concorrem para lhe convencer a dedicar um pouco mais de duas horas apreciando aquele que foi o Último Samurai.
Título original: (The Last Samurai)
Lançamento: 2003 (EUA)
Direção: Edward Zwick
Atores: Tom Cruise, Ken Watanabe, Billy Connolly, Tony Goldwyn.
Duração: 144 min.
Gênero: Aventura

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Memórias de Uma Gueixa

"O coração tem uma morte lenta. Perde-se a esperança como as árvores perdem as folhas, uma a uma." (Chiyo)


Anos antes da Segunda Guerra Mundial, Chiyo (Suzuka Ohgo), uma menina com nove anos, foi vendida  a casa das Gueixas por seu pai, um pescador pobre que morava no interior do Japão. Neste local a menina seria preparada para desempenhar o papel de uma Gueixa. Porém, em virtude da não adaptação, tentativa de fuga e conflitos com as outras jovens da casa, Chiyo foi punida e passou a desenvolver a simples função de empregada doméstica, trabalhando em troca de alimento. Este seria o destino da jovem se não fosse o casual encontro com Shachõ (Ken Watanabe), um senhor bastante rico, por quem, mesmo sendo criança, Chiyo se apaixonara. A partir deste dia, aquela triste menina passara a cultivar um intenso amor e desejar ardentemente se tornar Gueixa e assim conquistar Sanchõ.
Adiantar o restante da trama tiraria a surpresa e o interesse pelo filme, porém destaco que o roteiro é muito bom, assim como o figurino e a fotografia. As atrizes são belas, e muito convincentes no papel. Um filme recheado de conflitos, rivalidades, esperança e amor. Um retrato especial de aspectos da cultura Oriental que tanto desconhecemos. Qualquer comentário sobre o filme não seria suficiente para descrever sua capacidade de impactar e hipnotizar o telespectador.
Entretanto, não podemos esquecer que este filme, baseado na obra de mesmo nome do escritor Arthur Golden, é uma produção Ocidental, logo, infelizmente não é fiel a verdadeira cultura Oriental, pelo menos quanto ao mundo das Gueixas. E esta foi uma das principais críticas ao filme, pois: proporcionou uma visão caricaturada das Gueixas, presença de elementos anacrônicos confundindo o Japão dos anos 30 com o atual, os papéis principais foram feitos por atrizes chinesas e não japonesas. Além da não valorização da maquiagem das Gueixas, pelo menos da forma como deveria ser feito. O site Cultura Japonesa contém mais detalhes sobre a crítica japonesa, mas só visite após assistir o filme.
Ainda assim, mesmo diante de tantas críticas, é obrigatório assistir este longa, pelo menos para quem gosta de ir além de um cinema pipoca.
Título original: (Memoirs of a Geisha)
Lançamento: 2005 (EUA)
Direção: Rob Marshall
Atores: Zhang Ziyi, Ken Watanabe, Michelle Yeoh, Youki Kudoh.
Duração: 145 min
Gênero: Drama

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Partida

Um jovem violoncelista, Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki), impedido de seguir sua carreira e desempregado resolve então voltar para a sua cidade natal no interior do Japão com sua esposa. Aceita um emprego bem remunerado, sem saber qual seria realmente seu trabalho, e quando descobre que teria a função de limpar corpos de pessoas mortas para o enterro (nokanshi, uma antiga tradição japonesa) não reage bem.  Contudo, aceita o emprego, porém esconde de sua esposa e dos amigos por vergonha e preconceito. Mas a partir do instante em que o personagem vai se acostumando com a atividade, a morte passa a ser um fenômeno material, mas não destituído de emoção.  O ritual praticado pelo nokashi  não seria apenas um limpeza do corpo do morto, mas sim um rito de passagem no qual a família participaria e tendo ainda a oportunidade de expor suas últimas emoções antes do enterro: tristeza, aceitação, até mesmo conforto frente aquele difícil momento. A plena dedicação do nokashi representa o último presente deste mundo ou da família aquele que partira.
Ter sido premiado por melhor filme estrangeiro em 2009 não é o único apelo positivo deste filme, pois ele possui um ótimo roteiro, fotografia, interpretação e trilha sonora. Aproveitem.



Título original: (Okuribito)
Lançamento: 2008 (Japão)
Direção:Yojiro Takita
Atores:Masahiro Motoki, Tsutomu Yamazaki, Ryoko Hirosue, Kazuko Yoshiyuki.
Duração: 130 min
Gênero: Drama