"Espelho, espelho meu, quem é a mais bela de todas?" (Ravenna)
Baseado em um dos mais conhecidos contos da literatura, Branca de Neve chega aos cinemas para, pelo menos, nos fazer esquecer o enfadonho Espelho, Espelho Meu. Enquanto Julia Roberts nos deixou atormentados na poltrona das salas de cinemas com sua interpretação da Rainha Má, a Charlize Theron, por sua vez, foi um show a parte vivendo a triste, sombria, assustadora e temível Ravenna.
Uma versão muito mais próxima da obra original compilada pelos Irmãos Grimm, e uma diversão não aconselhável para crianças. Aliás, acompanhei muitos pais desavisados abandonando as salas de cinema após alguns minutos de filme, pois logo perceberam que aquele não era um filme indicado para os pequeninos.
De um lado observamos uma rainha aprisionada e obcecada com a busca mortal pela beleza e juventude. Não era um simples desejo interno, mas algo que lhe consumia e reorientava sua energia: sua razão de viver era ser bonita. E sua única salvação estava na bela Branca de Neve (Kristen Stewart) que não tinha a beleza como prisão, mesmo que seu destino tenha sido traçado em função dela.
Os elogios ao longa estão por conta da manutenção da atmosfera sombria da obra, assim como o seu não esvaziamento com aquelas tramazinhas amorosas água com açúcar. O cenário, efeitos especiais, o figurino, a trilha sonora, as cenas de ação e, principalmente, a interpretação de Charlize Theron foram perfeitos. Por outro lado, o roteiro pareceu um pouco longo, parecia estar tentando preencher espaço; Kristen Stewart, na pele da Branca de Neve, lembrava um vampiro sem expressão, nos fez recordar a Bella Swan de Crepúsculo. O caçador (Chris Hemsworth ) e o candidato a príncipe, Sam Claflin, que pareciam estar prontos para um ménage à trois com a princesa, também não empolgaram muito.
Porém, analisando os prós e contras, é perfeitamente recomendável acompanhar o audacioso trabalho do Diretor Rupert Sanders, nesta versão do conto de fadas que ainda diverte crianças e adultos mundo afora.
